Fernando Henrique Cardoso

Nascimento: 18/06/1931, Rio de Janeiro - RJ

Profissão: Sociólogo

Período de Governo: 01/01/1995 a 01/01/1999

                                     01/01/1999 a 01/01/2003

Tipo de Eleição: direta

Idade ao Assumir: 64 anos

Posse: tomou posse no dia 01 de janeiro de 1995, em sessão do Congresso Nacional realizada pelo Senador Humberto Lucena.

Obs.: Foi afastado do cargo diversas vezes por causa de viagem e quem assumiu foi o vice-presidente e o presidente da Câmara dos Deputados. Exerceu o segundo mandato do dia 01 de janeiro de 1999 a 01 de janeiro de 2003 e foi o primeiro presidente reeleito.

A vida de Fernando Henrique

Fernando Henrique Cardoso conhecido como FHC nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) no dia 18 de junho de 1931.

Com um currículo vasto, ele se formou em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), em 1952. Fez uma especialização em Sociologia, em 1953 e ganhou o título de doutor em 1961. Na década de 50, ajudou a editar a revista Fundamentos, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mesmo não se afiliando a ele. Ainda antes de terminar a graduação foi professor na USP da Faculdade de Economia entre 1952 a 1953, por causa do sociólogo Florestan Fernandes, do qual foi assistente em 1955, além de ter sido assistente do professor Roger Baptiste e analista de ensino da cadeira de Sociologia da USP, da Faculdade de Filosofia em 1953.

No ano seguinte, foi eleito representante dos ex-alunos, do qual se tornou o membro mais jovem do Conselho Universitário da USP. Fez parte, na década de 60, do Centro de Sociologia Industrial e do Trabalho (Cesit) que foi criado por Florestan Fernandes e o sociólogo francês Alain Touuraine, em 1962. Realizou uma pós-graduação no Laboratoire de Sociologie Industrielle da Universidade de Paris entre 1962 a 1963.

Com o Golpe Militar de 1964, ficou exilado no Chile e fez parte da Comissão Econômica para América Latina (Cepal) das Organização das Nações Unidas, além de ser direitor-adjunto da divisão social do Instituto Lationamerciano de Planificación Econômica y Social (ILPES), em Santiago. Durante o tempo que passou fora do Brasil ministrou aulas na Argentina, França, México e Chile. Voltou para o Brasil, em 1968 e foi professor da cátedra de Ciência Politica da USP, porém em 1969 foi obrigado a se aposentar por causa do Ato Institucional nº 5. Nesse ano ainda fez parte do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), sendo professor em universidades europeias e americanas.

Além de lecionar, escreveu obras como o Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, tese de dourado e Dependência e Desenvolviemnto na América Latina, junto com o historiador do Chile Enzo Faletto. Conquistou doutorado honoris causa em mais de 20 universidades tais como Oxford, Moscou, Cambridge, dentre outras. Na década de 70 foi membro do Conselho Superior da Faculdad Latinoamericana de Ciências Sociales (Flacso) e diretor do Conselho Lationoamericano de Ciências Sociales (Clacso), com sede em Buenos Aires.

Ingressou na política se candidatando para o Senado, no ano de 1978, através do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), como suplente de Franco Montoro. Após isso:

  • Contribuiu para a criação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em 1980, com a exclusão do bipartidarismo;
  • Foi presidente da Associação Internacional de Sociologia entre 1982 a 1984;
  • Se tornou Senador pelo estado de São Paulo em 1983;
  • Foi candidato à Prefeitura de São Paulo, em 1985, mas derrotado por Jânio Quadros do Patido Trabalhista Brasileiro (PTB);
  • Tornou-se novamente Senador de São Paulo em 1986, ainda no PMDB. Além disso, foi líder do governo e do PMDB no Senado entre 1985 a 1988;
  • Fundou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) junto com Franco Montoro e Mario Covas e outros políticos e se tornou líder desse legenda no Senado entre 1988 a 1992;
  • Foi Senado Constituiente entre 1987 a 1988, sendo relator do regimento interno da Assembleia Constituinte;
  • Ministro das Relações Exteriores entre 1992 a 1993 e Ministro da Fazenda entre 1993 a 1994, no governo de Itamar Franco, onde auxiliou na implantação do Plano Real;
  • Se candidatou à presidência pela coligação PSDB/PFL/PTB, sendo eleito ao cargo no dia 03 de outubro de 1994. Foi reeleito em 1998 pela coligação PSDB/PFL/PTB/PPB.

Período Presidencial

Fernando Henrique Cardoso foi sucessor de Itamar Franco e iniciou o seu governo no dia 1º de janeiro de 1995. Sua candidatura se prolongou por mais quatro anos após a sua reeleição em 1999. Um dos seus principais desafios foi trazer crescimento econômico para o país e também estabilizar a moeda.

Plano Real

O Plano Real foi um plano econômico do governo utilizado para estabilizar e realizar reformas na economia. Uma das mudanças foi a implantação da nova moeda, o Real, que entrou em circulação no dia 1º de julho de 1994. Para que fosse valorizada, o Banco Central fixou uma comparação entre o Dólar e o Real, assim, um dólar equivaleria a um real. Com esse novo plano, a população e os empresários puderam se beneficiar mais do consumo interno. Através desse plano, FHC conquistou a vitória nas eleições, pois o programa proporcionou um controle da inflação.

Primeiro Mandato

Em seu primeiro mandato, para que o país se adaptasse à nova realidade da economia mundial, submeteu à aprovação do Congresso Nacional, uma série de medidas para modificar a Constituição de 1988, temas como desregulamentação de mercados, reforma administrativa e previdenciária, flexibilização das regras de contratação de mão-de-obra e fim do monopólio estatal (na siderurgia, telecomunicações e energia elétrica) passaram a ser discutidos no dia a dia da política do país.

Com a política implantada, o governo focou em controlar a inflação e por isso, elevou as taxas de juros da economia. Houve uma queda da inflação.

Reformas do Estado

As reformas na previdência social e administração federal seriam amplamente discutidas em seu mandato até sofrerem várias alterações. Outro ponto em destaque foi a privatização de empresas estatais, tais como a Telebrás, de telecomunicações e a Companhia Vale do Rio Doce, do setor de mineração e siderurgia, fato que passou por críticas diversas, principalmente de partidos políticos que se opunham à sua candidatura. Mas isso, não foi um impedimento para que o governo realizasse as privatizações. Mais tarde surgiram denúncias contra o governo de que eles estariam favorecendo empresas internacionais específicas. Porém isso não os impediu de realizar as reformas no setor.

No ano de 1997 foi aprovada uma emenda constitucional que previa reeleição para os cargos de Presidente da República, Prefeitos e Governadores, fato que contribuiria posteriormente para sua reeleição em 1998.

Política Externa

Devido a inserção do Brasil nos mercados internacionais, o país passou por várias crises, das quais se destacam a do México que começou em dezembro de 1994 e a da Rússia. Mesmo com as crises, o governo conseguiu conter a inflação por causa da implementação do Plano Real.

Segundo Mandato

Apoiado no controle da inflação e estabilização da economia, FHC se reelegeu, disputando o cargo e vencendo no primeiro turno das eleições. Um dos pontos marcantes do seu governo nesse mandato foi a reforma dentro da educação, em que ele implantou as Leis de Diretrizes e Bases da Educação, criada em 1996.

Porém, nesse mandato, ele enfrentou algumas crises, pois o país entrava em uma recessão econômica. Com o objetivo de controlar a inflação, foram adotadas medidas que desestimularam o consumo interno, gerando um alto índice de desempregos.

No início de 1999, o Brasil foi atingido por uma crise internacional e muitos investidores com receio retiraram bilhões do país e assim não houve como manter a igualdade entre Dólar e Real. O governo teve que desvalorizar a moeda e procurar o FMI para pedir empréstimos.

Fatos Importantes no Governo

  • Criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000, a Lei Complementar 101, que auxiliou o Brasil no controle das contas públicas;
  • Em 2001 houve uma crise política, em que os Senadores Jader Barbalho, Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda foram denunciados e acabaram renunciando ao mandato;
  • Em 2001 houve uma crise nacional de fornecimento de energia elétrica, chamada apagão, em que a população deveria respeitar uma meta mínima de consumo.

Fim do Mandato

Fernando Henrique não conseguiu fazer um sucessor. Aliás, seu partido lançou o candidato José Serra, mas quem ganhou as eleições foi Luís Inácio Lula da Silva do PT. Seu mandato terminou no dia 01 de janeiro de 2003.