Jânio Quadros

Nascimento: 25/01/1917, Campo Grande (MS)

Falecimento: 16/02/1992, São Paulo (SP)

Profissão: Advogado

Período de Governo: 31/01/1961 a 25/08/1961

Idade ao Assumir: 44 anos

Tipo de Eleição: Indireta

Posse: Foi feita no dia 31/01/1961 na sessão conjunta do Congresso Nacional, dirigida pelo Senador Filinto Müller.

Obs.: No dia 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou ao cargo. A presidência não foi ocupada pelo vice-presidente João Goulart, por ter o nome vetado diante dos ministros militares. Quem assumiu foi Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, como presidente interino e governou o país por pouco tempo.

A vida de Jânio Quadros

Jânio da Silva Quadros nasceu na cidade de Campo Grande (MS) no dia 25 de janeiro de 1917. Mudou-se com a família para Curitiba, depois São Paulo, onde pôde cursar direito, na Faculdade de Direito de São Paulo, com 18 anos. Sua graduação terminou no ano de 1939 e realizou algumas atividades em sua área profissional, antes de ingressar na carreira política.

Foi um líder carismático que tinha o objetivo de acabar com a corrupção e por isso, conquistou grande parte do público, manteve relações com jornalistas e pedia sugestões para a população de baixa renda. Sua vida política teve início no estado de São Paulo:

  • Torna-se vereador concorrendo através do Partido Democrata Cristão (PDC), seu mandato foi de 1948 a 1950;
  • Deputado Estadual pelo PDC entre 1951 a 1953;
  • Prefeito de São Paulo (1953-1954), pelo PDC e o Partido Socialista Brasileiro;
  • Governador do estado de 1955 a 1959;
  • Deputado Federal (1958) do estado do Paraná, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), porém não participou das sessões do Congresso devido viagem ao exterior;
  • Eleito Presidente da República no dia 3 de outubro de 1960, com o auxílio da União Democrática Nacional (UDN), vencendo de João Goulart que se tornou vice.

Período Presidencial

A posse de Jânio Quadros aconteceu em Brasília, e foi a primeira na nova capital, no dia 31 de janeiro de 1961. Para a época, foi um dos presidentes mais votados. Através do seu governo, foi capaz de lançar medidas contra a inflação e fortalecer a política externa de forma a torná-la independente.

Economia: Desvalorização do Cruzeiro

Lançou um programa para desvalorização do cruzeiro que aumentou o valor dos produtos básicos, isso contribuiu para a insatisfação da população. Além disso, para conter a inflação recorreu à uma política econômica sugerida pelo Fundo Monetário Internacional, restringindo o crédito e congelando salários.

Lei Antitruste e Comissão de Defesa

Em março de 1961, Jânio Quadros apresenta o projeto de Lei Antitruste, responsável por regulamentar os abusos de poder econômico. Propôs também a criação da Comissão Administrativa de Defesa Econômica, relacionada ao Ministério da Justiça. Porém, esse últimos projetos foram vetados pelo Congresso.

Plano Quinquenal

Em agosto de 1961, criou a Comissão Nacional de Planejamento e preparou o Primeiro Plano Quinquenal que seria substituto do Plano de Metas implementado no governo de Juscelino Kubitschek.

Política Externa

Implantou um tipo de política externa que teria o objetivo de unir laços, tanto comercial, quanto cultural dos blocos econômicos no pós-guerra. Essa medida trouxe desconfiança ao seu governo, principalmente, por parte de grupos e setores internos que acreditavam que isso só deveria acontecer com os Estados Unidos.

Outro fato muito discutido foi à condecoração do cubano Ernesto Che Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, um título dado a grandes personalidades que nasceram fora do país. Che Guevara foi um dos líderes da Revolução de Cuba e, na época era Ministro da Economia do país. Esse ato provocou muitas críticas no meio político.

Medidas Polêmicas

Jânio tomou algumas medidas que foram consideradas desnecessárias por parte de alguns, tais como a proibição da utilização do biquíni dos concursos para miss, na transmissão por televisão; proibição das brigas de galo, restrição das corridas de cavalo e também dos lança-perfumes nas festas de carnaval.

Oposições ao Governo

Não havia uma estrutura política de apoio ao governo do presidente, principalmente, por causa das medidas tomadas. Ainda, na época, o Congresso Nacional era composto pelo PTB e o PSB. Jânio havia se afastado na UDN e por isso, enfrentou uma grande oposição de Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara. Como perdeu apoio político e também afirmava que estava sendo perseguido, decidiu renunciar.

Fim do Mandato

Após sete meses de mandato, Jânio Quadros renuncia o seu cargo como chefe de Estado e acabou causando uma instabilidade política no país. Seu vice-presidente João Goulart estava em viagem à China, além disso, sua posse havia sido vetada por Ministros Militares. Com a renúncia, Ranieri Mazzilli, assume a presidência no dia 26 de agosto de 1961.

O Congresso vê como solução a implantação do regime parlamentarista que duraria de 03 de setembro de 1961 até 31 de janeiro de 1966 e João Goulart seria o novo chefe de Estado.

Jânio Quadros ainda se candidatou como governador de São Paulo, em 1962, porém não ganhou as eleições. Nesse período exerceu algumas atividades privadas e alguns pronunciamentos políticos em 1968. Foi preso em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Posteriormente, aconteceu a Ditadura Militar e Jânio teve seus direitos políticos cassados. Retornou à vida política depois da lei da anistia, em 1982 como candidato ao governo de São Paulo, porém perdeu. Já em 1985 foi eleito como Prefeito de São Paulo, pelo PTB.

 

Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. Nestes sete meses, cumpri meu dever. Tenho-o cumprido, dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções nem rancores...